Não sou um membro da imprensa esportiva, apesar de ser um sonho de infância. Contudo, diante dos últimos acontecimentos envolvendo o técnico da seleção brasileira e a imprensa, vejo-me na condição de um mero espectador que, sem qualquer ligação com nenhuma das partes no "conflito", talvez tenha uma opinião que interesse aos 3 leitores de nosso blog.
Primeiramente, deve-se apresentar as partes do litígio:
Dunga, 47 anos, campeão do mundo pela seleção brasileira como jogador em 1994 e vice em 1998. Técnico da seleção brasileira desde 2006, o ex-jogador coleciona ótimos resultados: 1° lugar nas eliminatórias sul-americanas da copa do mundo, campeão da copa américa e campeão da copa das confederações.
Imprensa Esportiva Brasileira, formada por jornalistas reconhecidamente talentosos e alguns até geniais, como o falecido Armando Nogueira. Eu, particularmente, sou leitor, ouvinte e telespectador assíduo de muitos: Juca Kfouri, PVC, André Rizek, Renato Maurício Prado, Lédio Carmona, e outros.
É claro que considero ríspidas e desnecessárias as declarações reacionárias do técnico Dunga, mas, cá entre nós, a imprensa em geral tem implicado muito com o treinador. Em qualquer impasse (ainda mais se relacionado com as comunicações sociais), deve-se buscar a serenidade e a racionalidade. Acima de tudo, não se deve deixar que motivações pessoais interfiram em suas opiniões e atitudes.
O que estou acompanhando pela televisão é uma verdadeira guerra onde, claramente, não haverá vencedores. Isto porque, mesmo que vença a copa do mundo com um gol de letra de Felipe Melo, aos 49 minutos do segundo tempo (da prorrogação!), Dunga não deixará o continente africano considerado ser incontestável e ídolo supremo, como imagino que ele pense.

Por outro lado, penso que se a imprensa tratasse a situação com mais parcimônia e inteligência, talvez tivesse a oportunidade de saber mais sobre o que se passa com a seleção brasileira, curiosidades sobre "nossos" atletas, etc. É assim em toda e qualquer relação, seja ela amorosa ou profissional: primeiro se conhece o outro pólo do relacionamento (frio, não), depois se coloca na cabeça que o progresso e desenvolvimento da parceria só será possível se ambas as partes ganharem com isso, de alguma forma. A "mãe dos preguiçosos" - a wikipedia - define "relacionamento" da uma forma simples (quase infantil), porém interessante: "O relacionamento entre pessoas é a forma como eles se tratam e se comunicam. Quando os indivíduos se comunicam bem, e o gostam de fazer, diz-se que há um bom relacionamento entre as partes. Quando os indivíduos se tratam mal, e pelo menos um deles não gosta de entrar em contato com os restantes, diz-se que há um mal relacionamento". Aplicando o que foi anteriormente escrito: a “imprensa” fez merda. Desculpe-me pelo palavreado, mas só assim mesmo para descrever a questão. E o pior: assim que “saiu” da entrevista coletiva na qual Dunga convocou o selecionado tupiniquim, ela sabia que tinha feito merda.
Explico: desculpe-me o Dunga, sua família e amigos, mas o técnico da seleção não me parece o sujeito mais inteligente do mundo. Muito pelo contrário, uma pessoa que lê e ouve, há 47 anos, o mundo escrever e dizer "conosco" e achar que é muito normal repetir 239 vezes por dia o dito "com nós" e ainda crer que a expressão é gramaticalmente adequada, para mim, é um ser limitado intelectualmente. Ou seja, trate o sujeito bem, enalteça sinceramente seu trabalho (o que não é difícil, em se tratando de um técnico vitorioso como Dunga), que a tendência natural é que ele o trate bem.

Agora quem vai me desculpar é a "imprensa": se considera o treinador da seleção um sujeito "burro, bobo e feio" e mesmo assim não concentra seus esforços super-qualificados no sentido de selar o bom relacionamento com o técnico, "burra, boba e feia" é a imprensa.
Para finalizar, outro ponto que julgo importante: estou vendo muitos "jornalistas" chamando Dunga de ditador. Sempre tive a impressão de que, qualquer um, para tornar-se um ditador, teria que possuir, necessariamente, o poder concentrado em suas mãos. Que eu saiba, a delegação brasileira não é composta por somente uma pessoa (vide Andres Sanches - chefe da delegação brasileira na África do Sul, Américo Faria - supervisor, etc.). Acho engraçado qualquer membro da imprensa brasileira chamar este ou qualquer outro treinador de futebol de ditador. Escreva para um jornal acusando a imprensa de ser "controladora das massas" e veja a repercussão.
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